Parque Estadual Pico do Marumbi

Parque Estadual Pico do Marumbi

O Parque Estadual Pico do Marumbi, localizado na cidade Morretes-PR é considerado o berço do montanhismo nacional. Uma região repleta de belezas naturais e que possui relevância e importância histórica para o Estado do Paraná. Você pode conhecer mais sobre a sua conquista em nosso artigo “A conquista do Marumbi“.

O Marumbi visto do mirante Nossa Senhora do Cadeado, no Caminho do Itupava. Foto: Ginaine Szesz

As Montanhas do Parque Estadual Pico do Marumbi

Conforme o plano de manejo do Parque Estadual Pico do Marumbi, por muito tempo o cume do Olimpo era considerado o ponto culminante do Estado do Paraná. Assim constava em todos os mapas da época. Em 1941 sua altitude de 1.800 metros foi reduzida pelo naturalista, geólogo e explorador Reinard Maack para 1.547 metros. Em 1992, o doutor em ciências geodésicas Paulo Krelling fixou-a em 1.539 metros, metragem que foi obtida pela geodésia satelitar. Ainda sim, o ponto mais alto do Parque Estadual Pico do Marumbi não é o Olimpo, e sim o Morro do Leão, com 1.579 metros.

info-marumbi-trilhas
O Marumbi - imagem retirada do livro "As Montanhas do Marumbi" do escrito Nelson Penteado

As montanhas que formam o Parque Estadual do Pico Marumbi são Olimpo (1.539 metros), Boa Vista (1.491 metros); Gigante (1487 metros); Ponta do Tigre (1400 metros); Esfinge (1378 metros); Torre dos Sinos (1280 metros); Abrolhos (1200 metros); Facãozinho (1100 metros) e pelo Morro Rochedinho (625 metros). Ainda ao sul, separado por grandes fendas e vales encontram-se os Morros do Leão, Coelho, Formiga, Cubos, Planalto, Coruja e Triângulo.

Nominação que possui cunho cultural

paulo-henrique-schmidlin-vitamina
Veterano marumbinista Henrique Paulo Schmidlin

O Olimpo e as outras montanhas do Marumbi possuem nomes peculiares e distintos. De acordo com o veterano marumbinista Henrique Paulo Schmidlin, o lendário Vitamina, a nominação dessas montanhas se deu pelo também marumbinista Rudolf Stamm. Possuem riquíssimo cunho cultural de origem clássica, medieval, oriental, germânica e egípcia.

A Torre dos Sinos têm origem nas catedrais religiosas do período medieval. A Esfinge é uma homenagem a cultura egípcia, nome que se dá ao ser místico e de poder, e que também é uma representação de guardiã. Como afirma Vitamina, a Ponta do Tigre é uma referência a cultura oriental, já que não possuímos tigres na América. O Gigante é uma referência na cultura clássica, oriunda do grego que é a antecâmara para chegar no céu olímpico. E claro, o ponto que era considerado o culminante na época, o Olimpo, a morada dos Deuses.

O Marumbinismo

Como efeito da conquista das montanhas do Marumbi, os anos subsequentes e no início do século passado, houve uma frequência na realização das trilhas nessa complexo de montanhas. Pessoas famosas e personalidades importantes da época visitam o majestoso Marumbi. Muito pela vontade de desbravar o desconhecido. Outro fator como a acessibilidade de acesso por meio do trem que ia de Curitiba até a estação de trem do Marumbi. Houve então uma ascensão na prática do esporte. Isso estimulou em 1928 o historiador Romário Martins.na criação do neologismo linguístico “marumbinismo” que em 1950 se tornou sinônimo de alpinismo.

Os marumbinistas, grupos de pessoas que além de se dedicarem na prática esportiva, foram também responsáveis pela criação de vias, trilhas e suas manutenções no que hoje conhecemos o Parque Estadual do Marumbi. Um amor pela montanha que se tornou uma cultura no Estado do Paraná. Além disso, essa geração de marumbinistas foi também responsável por outras iniciativas e que sempre lutaram pela preservação e conservação do Marumbi.

A preservação da Serra do Mar e a implantação do Parque Estadual

parque-estadual-do-marumbi
Vista da estação de trem Marumbi. Foto: Jonathan Monegatti

Em 1986 após muitos esforços e principalmente por atos idealizados pelos marumbinistas, como o saudoso Vitamina, houve o tombamento da Serra do Mar em sua totalidade. E com a intenção de preservação e conservação da riquíssima fauna e flora onde o Pico Marumbi está inserido, em 1990 foi criado o Parque Estadual Pico do Marumbi. Inaugurado na Semana do Meio Ambiente alguns anos depois, no dia oito de junho de 1995.

O Parque Estadual Pico do Marumbi é a maior unidade de conservação aberta ao público no Estado do Paraná. É também Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Unesco, pela proteção à Floresta Atlântica.

Hoje em dia, o Parque é uma das unidades mais conservadas das montanhas no Paraná. É administrada pelo Governo do Estado do Paraná por meio do IAT (Instituto Água e Terra). Possui uma área é de 2.342 hectares.

livro-as-montanhas-do-marumbi

O montanhista e escritor Nelson Luiz Penteado escreveu uma obra com o título “As Montanhas do Marumbi” e que é uma grande referência para aquisição de conhecimento sobre o parque.

Nos dias atuais o parque possui camping estruturado, museu que se encontra em manutenção e um posto do Corpo de Socorro em Montanha (COSMO) que tem base fixa no local. O COSMO criado em 1996, é uma associação civil sem fins lucrativos.É formada por montanhistas voluntários que prestam serviços de prevenção de acidentes, resgate de acidentados, busca de perdidos, manutenção e conservação de trilhas e vias de escalada.

O Marumbi e a escalada em rocha

O Parque Estadual Pico do Marumbi é também uma grande referência quando se trata em escalada em rocha. Possui inúmeras vias de dificuldade técnica e inclusive, se torna um local para quem almeja grandes voos pelas montanhas mundo afora. Uma das referências e que mora na base dessa montanha é o alpinista brasileiro Waldemar Niclevicz que foi o primeiro brasileiro a escalar o Everest.

Como visitar o Parque Estadual Pico do Marumbi?

Para uma melhor experiência na visitação do Parque Estadual Pico do Marumbi, é sugerido ir com alguém que já realizou as trilhas na região ou até mesmo a contratação de uma empresa de ecoturismo ou turismo de aventura certificada no CADASTUR.

Sugerimos que você ligue para o parque verificando disponibilidades para camping ou para que se organize a visitação para ir muito (muito) cedo para fazer o registro de identificação no IAT. O próprio IAT não indica e não permite que seja praticado as trilhas mais longas após ás 09 horas da manhã. E por conta da pandemia de COVID-19 o parque que foi reaberto em no dia 15 de Agosto de 2020, terá sua capacidade limitada, podendo operar com no mínimo 50 pessoas registradas.

Dicas extras e de extrema importância

Outra importante sugestão e indicação, esteja guarnecido de lanterna de cabeça, lanterna reserva, bota ou tênis para prática de trilhas e perneira trekking. A lanterna de cabeça é essencial, pois caso haja algum incidente e tenha que ficar por mais tempo na trilha, é a única forma de poder iluminar o caminho a noite caso seja necessário. Por conta da quantidade dos grampos e uso constante das mãos, o praticante não consegue se locomover à noite usando somente a lanterna de mão.

Ramon Cavalheiro

Ramon Cavalheiro

Fundador Nos Alpes tenho como missão de vida compartilhar habitos sutentáveis e consumo consciente

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *